Trainee Nestle 2020

Mal-estar civilizatório A ausência de um Estado que cumpra s 2795

Mal-estar civilizatório

A ausência de um Estado que

cumpra seu papel mediador das vidas humanas e dos bens a elas

relacionados vem contribuindo para o aumento, no Brasil, do que a

psicanálise chama de mal-estar civilizatório. O conceito é relativo ao

homem do mundo moderno e às angústias que ele vive. Aplica-se a uma

cultura firmada em torno dos valores da razão científica e tecnológica,

na qual inexiste a figura de um legislador central que concentre o poder

e concilie os interesses do corpo social de uma forma democrática. A

ausência dessa figura gera mal-estar ao criar um impasse permanente para

cada indivíduo/sujeito: como conciliar as aspirações próprias de prazer

e satisfação - o gozo, para a psicanálise - com os desejos dos outros?

            Como o Estado e o conjunto de entidades a ele ligado - os

responsáveis por essa mediação na atualidade - são incapazes de fazer

essa conciliação entre as diferentes partes da sociedade, o mal-estar se

instaura, trazendo, junto com a desigualdade, suas conseqüências: a

possessão absoluta de bens por uma pequena parcela da população e a

carência massiva da maior parte dela.

            A falta de mecanismos de proteção para o último grupo,

deixado ao léu pelo Estado, é, para Birman, prova de que estamos diante

de uma instituição que promove o genocídio. Esse descaso a carreta o

aumento da criminalidade, da violência e da delinqüência, não apenas nas

classes populares, mas também nas dominantes. Como exemplo, o

psicanalista aponta a corrupção que invade o meio político nos seus mais

altos níveis hierárquicos.

            Assim, enquanto instituições mediadoras - como as de

previdência, assistência e bem-estar social - são progressivamente

desarticuladas, " a economia vai ganhando uma espécie de autonomia".

Essa carência na população vai levando, por um lado, ao aumento da

barbárie que sustenta esse crescente grupo e, por outro, à privatização

dos sistemas de segurança para proteger as classes mais privilegiadas

dessa mesma barbárie.

Júlia Dias Carneiro. In: Ciência Hoje, vol. 30, p. 54 (com adaptações).

Com relação às idéias do texto I, julgue os itens a seguir.O genocídio, a criminalidade e a delinqüência, indicadores da ausência da gestão do Estado como instituição voltada para os interesses coletivos, são causas do mal-estar civilizatório.

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